segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Escrevo, pois algo me afeta,
torto na linha reta,
com o coração de poeta
à errar até quando acerta

Todos os dias a mesma regra,
bem cedo em meu peito desperta
uma força que liberta
o espirito de um profeta.

Meu olhar sai como seta
voa numa direta
sente a luz que nos cerca
separa as flores das pedras.

Minha escrita é minha reza,
aquilo que faço sem pressa,
toda minha alma versa
no verso da minha conversa.

Escrevo com o amor que me resta,
porque sinto em mim uma festa
e disparo como uma flecha
quando a caneta aperta.

O papel permanece alerta
imóvel e sereno, revela
enquanto o traço espera
pra nascer na ponta da esfera.


Rômulo Romanha

domingo, 22 de fevereiro de 2015

PEDRA

Lasca de força bruta
calado simbolo de luta
corta quebra e fura
centelha de energia imuta

Pequena arma de David
pedra que dilacera a grandeza
ao estilhaçar a opressão.
A mão se poem a agir
ressuscita a luz da beleza
forjada no coração.

Em revolta o sangue ferve
e no estomago aquele frio,
a explosão do povo em febre
após tempos sombrios.

Em peso, volume e densidade
nem parece tão poderosa.
Só ela contra a cidade,
nas mãos da plebe corajosa.

Força! Pedra da revolta,
pedra da resistência.
Ensine aos de cabeça baixa
o valor da desobediência.

Junto ao povo és rainha
e companheira de jornada,
espero que ao voar sozinha
restaure a justiça quebrada.

Rômulo Romanha