terça-feira, 24 de setembro de 2013

Rodopiante


Salta!
Salta porque no ar é seu lugar
onde o espaço,
o passo
e compasso
não podem atrapalhar
as sutilezas da alma
que pede com calma
um pedaço da palma
que se faz ressoar

e...

Gire!
Gire a bailar
como a orbita da terra
em um mesmo lugar
como gira o universo
em si mesmo imerso
o que cabe em um verso?
quando estás a girar

doce rodopiante
aquela insonia constante
de noite após noite
contigo sonhar



Rômulo Romanha

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Invenção de Orfeu

Invenção de Orfeu – II

 A ilha ninguém achou
 porque todos a sabíamos.
 Mesmo nos olhos havia
 Uma clara geografia.

Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

Nem achada e nem não vista
nem descrita e nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.

Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.

Indícios de canibais,
sinais do céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.

Rosa de ventos na testa,
maré rasa, aljôfre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!

Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?

Jorge de Lima