quinta-feira, 25 de março de 2010

Fala professor paulista!!!!!



comentário a coluna de Gilbeto Dimenstein no Jornal Folha de São Paulo.

escrito por Márcio Ferro:

Sou professor da rede estadual há oito anos e ocupo dois cargos como professor desde 2005. Este ano decidi que será o último no qual ocupo estes cargos. A partir do ano que vem mudarei de carreira e, infelizmente, largarei a profissão que um dia imaginei que desempenharia e que seria aquela que me realizaria como profissional e ser humano.
Estou cansado de ser tratado como um lixo pela política educacional (ou pela falta dela) do governo do estado de São Paulo. Sem um plano de carreira, sem condições de trabalho dignas, lidando semanalmente com mais de mil alunos (21 turmas x 50 alunos), recebendo um salário ridículo, sem nenhum benefício, tendo que pagar para tomar conta dos carros da escola, comprar água, sem horário para refeição, sofrendo com a violência por parte da comunidade (já levei tiros em porta de escola e fui agredido e presenciei agressões aos meus colegas), sem um apoio pedagógico realmente eficaz, entre muitos outros fatores.
Mas o que mais me chateia são as opiniões do senhor, Sr. Gilberto Dimenstein. Estou cansado de ser tratado em seus comentários como um mercenário que só pensa em dinheiro, ou como um alguém que falta quase que diariamente ao trabalho por pura negligência. Não aguento mais! Suas colunas também foram determinantes para me levar a tomar a decisão de largar o magistério. Meus amigos (que não são professores) leem suas opiniões e acham que estou aumentando a situação, que estou mentindo, pois ao lerem sua coluna e verem a propaganda do governo estadual, acreditam que a escola pública está uma maravilha.
Peço ao senhor que, ao publicar suas próximas colunas, pense, mas pense muito, em quantos professores o senhor está desmotivando. Informe-se, procure, estude e – acima de tudo – conheça a realidade das escolas estaduais das regiões periféricas. O senhor mesmo já percebeu que a atratividade da carreira do magistério é quase nula frente aos jovens concluintes do ensino médio. Trabalhe para valorizar a educação e não políticas educacionais pautadas pela economia e sem foco no ser humano.
Afirmo que estou em greve! Não só por salário, mas para que o filho do pobre – ao qual o senhor se refere em sua coluna – possa chegar ao fim do ensino médio com condições de igualdade para disputar com o filho do rico uma vaga no mercado de trabalho ou em uma universidade, sem precisar de cotas. Não aguento mais ver alunos sem saber ler e escrever egressos da escola pública. Formados. Porém sem esperanças e sendo motivo de piadas.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Greve dos profesores em São Paulo


Como deve ser do conhecimento de todos que os professores das escolas públicas estaduais de São Paulo estão em greve, segundo o governo apenas 1% da categoria aderiu a greve, porém segundo o sindicato 60% da categoria aderiu a greve.
Os motivos da greve são muitos mas podemos partir de um só, pois, há 16 anos o governo do estado de São Paulo tem destruido a educação, começou com a promoção automática, além disso o estado tem tido durante todos esses anos uma politca de desvalorização dos professores e demais servidores da educação, eles destroem o sistema educacional de São Paulo e culpam os professores.
Pra solucionar o problema de uma categoria que o PSDB desmotivou ele divide o professorado em quase 6 categorias diferentes, relacionadas a provas, concursos públicos, tempo de magistério, e outros fatores, dividindo assim a categoria os professores não terão mais força pra lutar pela educação, pois terão dificuldades de mobilização de uma categoria que foi dividida .
Quando os professores decidem lutar, fazem isso por não haver mais alternativas, uma greve não é boa pra ninguém, porém, o governo do José Serra insiste em desmoralizar professores, os chama de inimigos da educação, sabe quem está todos os dias na sala de aula tentando ajudar o seu filho, se preocupando com o que ele pensa? Então porque nunca escutam os professores sobre os motivos da educação ter chegado a esse nível? O governo de São Paulo decidiu tudo o que fez com a educação durante esses 16 anos sem escutar os professores e agora a culpa é dos professores?
A realidade da escola pública é degradante, as crianças não são valorizadas, o material é falho, não existe um acompanhamento psicológicos nas escolas para ajudar a solucionar problemas, o sistema é extremamente burocrático.
O governo mente, diz que professores vão ganhar R$ 6.000,00 mas o salário do professor hoje em dia é menos do que 1/4 disso, além disso o professor é maltratados e humilhados dentro e fora da sala de aula.
Professores desmotivados formam alunos desmotivados. Professores abandonados formam alunos abandonados.

Nossos filhos precisam de professores de qualidade, com salário de qualidade, valorização de qualidade, numa escola de qualidade.

Um professor quando luta também educa, pois mostra aos alunos que não deve haver submissão, que a luta é uma necessidade da igualdade, ensinando na prática o que é cidadania.