sábado, 28 de novembro de 2009

"Confiemos, pois, no espírito eterno que destrói e aniquila, somente porque é insondável e eternamente criativa fonte de toda a vida. A paixão pela destruição é também uma paixão criativa."
Mikhail Bakunin

sábado, 21 de novembro de 2009

humanidade



Da fumaça que sobe nas ruas
Secando os nossos pulmões
As casas perdidas nas chuvas
Desmoronamento de corações
O estado que é como máquina
Uma grande fabrica de ilusões
E tiram todas as esperanças
Em troca te dão decepções
Todos somos sofredores
Manipulados pelo poder
Sonhamos em curar as dores
Com o lugar de quem nos faz sofrer
O cheiro da morte ambienta
Tornando quase imperceptível
O ser se desumaniza
Perdendo em si qualquer sentido
Mas solução se encontra próxima
Talvez na prateleira ao lado
O consumo que nos esvazia
Mas satisfaz o mercado

Por isso a voz não cala
E nos mantém resistentes
Sinto as dores do meu povo
Sigo em pé com minha gente
O ódio se agita no peito
Pois é tão insuportável
Ver as lágrimas nos olhos das mães
Lavarem de sangue as ruas

Quando o sol surgir no leste
Que seja pra ver nossa glória
Pra curar nossas feridas
E pra iluminar nossa vitória


art by banksy

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Silêncio no Bexiga

Silêncio o sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu
Escolas eu peço o silêncio de um minuto
O Bexiga está de luto
O apito de Pato n'água emudeceu (2x)

Partiu não tem placa de bronze não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu
Assim, um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus.


Geraldo Filme

domingo, 4 de outubro de 2009

Live for better days

Save it for tomorrow
Just let me get some sleep in
Let me rement
I wasn't born a failure tonight
I feel we're sinking
And i'm thinking once again

So i say goodnight
To dreams that won't be realized
I cant sleep with dsparation by my side
The memories start to fade
Now i live for better days

Last night was wrong it's morning
So tired of this empty
Feeling in me
I wasn't born a failure
No more living in regret
Stop feeling sorry for yourself

So i say goodnightTo dreams that won't be realizedI cant sleep with dsparation by my sideThe memories start to fadeNow i live for better days
Oh i need to end this violence
In a place that i called home
Oh i need to hear some silence
Silence in me...
Silence in me...

So i say goodnight
To dreams that won't be realized
I cant sleep with dsparation by my side
The memories start to fade
Now i live for better days

Ignite

terça-feira, 21 de julho de 2009

RAZÃO DE SER

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ser governado!


"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh, personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?"



Pierre-Joseph Proudhon

terça-feira, 16 de junho de 2009

Criar


CRIAR

Criar criar
criar no espírito criar no músculo criar no nervo
criar no homem criar na massa
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
sobre a profanação da floresta
sobre a fortaleza impudica do chicote
criar sobre o perfume dos troncos serrados
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
gargalhadas sobre o escárnio da palmatória
coragem nas pontas das botas do roceiro
força no esfrangalhado das portas violentadas
firmeza no vermelho-sangue da insegurança
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
estrelas sobre o camartelo guerreiro
paz sobre o choro das crianças
paz sobre o suor sobre a lágrima do contrato
paz sobre o ódio
criar
criar paz com os olhos secos.
Criar criar
criar liberdade nas estradas escravas
algemas de amor nos caminhos paganizados do amor

sons festivos sobre o balanceio dos corpos em forcas
[simuladas

criar
criar amor com os olhos secos.
Agostinho Neto

sábado, 28 de março de 2009

Mikhail Alexandrovich Bakunin


Não sou nem sábio, nem filósofo, nem escritor profissional. Escrevi muito pouco na vida e sempre que o fiz foi a contragosto, somente quando uma apaixonante convicção forçava-me a vencer minha repugnância instintiva contra qualquer exibição pública de meu próprio eu.
Quem sou eu, pois, e o que me leva agora a publicar este trabalho? Sou um pesquisador apaixonado pela verdade e um encarniçado inimigo das ficções malfazejas das quais o partido do sistema, este representante oficial, privilegiado e interessado em todas as baixezas religiosas, metafísicas, políticas, jurídicas, econômicas e sociais, presentes e passadas, pretende utilizar-se ainda hoje para embrutecer e submeter o mundo.
Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; não esta liberdade individualista, egoísta, mesquinha e fictícia, enaltecida pela escola de J. J. Rousseau e por todas as outras escolas do liberalismo burguês, que considera o assim chamado direito de todo mundo, representado pelo Estado, como o limite do direito de cada um, o que conduz, sempre e necessariamente, o direito de cada um a zero.
Não, só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna deste nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um; a liberdade que não reconheça outras restrições que aquelas que nos são traçadas pelas leis de nossa própria natureza; de maneira que não há, propriamente, restrições, pois estas leis não nos são impostas por nenhum legislador de fora, situando-se ao lado ou acima de nós; elas nos são imanentes, inerentes e constituem a base de nosso ser, tanto material quanto intelectual e moral. Em vez de achar nelas um limite, devemos considerá-las como as condições reais e como a razão efetiva da nossa liberdade.
Entendo esta liberdade de cada um que, longe de parar como diante de um marco, diante da liberdade de outrem, encontra aí sua confirmação e sua extensão ao infinito; a liberdade ilimitada de cada um pela liberdade de todos, a liberdade pela solidariedade, a liberdade na igualdade; a liberdade triunfante da força bruta e do princípio de autoridade que nunca foi nada mais do que a expressão ideal desta força; a liberdade que, depois de ter derrubado todos os ídolos celestes e terrestres, fundará e organizará um mundo novo, o da humanidade solidária, sobre as ruínas de todas as Igrejas e de todos os Estados.
Sou um partidário convicto da igualdade econômica e social porque sei que, fora desta igualdade, a liberdade, a justiça, a dignidade humana, a moralidade e o bem-estar dos indivíduos, assim como a prosperidade das nações, serão nada mais do que mentiras. Mas, partidário da liberdade, condição primeira da humanidade, penso que a igualdade deve estabelecer-se no mundo pela organização espontânea do trabalho e da propriedade coletiva das associações produtoras, livremente organizadas e federalizadas nas comunas, e pela federação igualmente espontânea das comunas, e não pela ação suprema e tutelar do Estado.
É este o principal ponto que divide os socialistas ou coletivistas revolucionários dos comunistas autoritários partidários da iniciativa absoluta do Estado. Seu objetivo é o mesmo; um e outro partido querem igualmente a criação de uma nova ordem social fundada unicamente sobre a organização do trabalho coletivo, inevitavelmente imposto a cada um e a todos pela própria força das coisas, com iguais condições econômicas para todos, e sobre a apropriação coletiva dos instrumentos de trabalho.
Os comunistas, contudo, imaginam que poderão chegar a isto pelo desenvolvimento e pela organização da potência política das classes operárias e principalmente do proletariado das cidades, com a ajuda do radicalismo burguês, enquanto os socialistas revolucionários, inimigos de ligações e alianças equívocas, consideram, ao contrário, que só podem atingir este objetivo pelo desenvolvimento e pela organização da força política, mas social e, conseqüentemente, antipolítica das massas operárias tanto nas cidades quanto no campo, incluindo todos os homens de boa vontade das classes superiores que, rompendo com todo seu passado, gostariam de unir-se a eles e aceitar integralmente seu programa.
Há, portanto, dois métodos diferentes. Os comunistas acreditam que devem organizar as forças operárias para dominar a potência política dos Estados. Os socialistas revolucionários se organizam com vistas à destruição, ou se quisermos usar um eufemismo, com vistas ao aniquilamento dos Estados. Os comunistas são partidários do príncipe e da prática da autoridade, os socialistas revolucionários só têm confiança na liberdade. Uns e outros igualmente partidários da ciência que deve matar a superstição e substituir a fé; os primeiros queriam impô-la, os outros se esforçarão por propagá-la para que os grupos humanos, convencidos, se organizem e se federalizem espontaneamente, livremente, de baixo para cima, através de seu próprio movimento e de seus reais interesses, nunca seguindo um plano traçado antecipadamente e imposto às massas ignorantes por algumas inteligências superiores.
Os socialistas revolucionários acreditam que há muito mais razão prática e espírito nas aspirações instintivas e nas necessidades reais das massas populares do que na inteligência profunda de todos estes doutores e tutores da humanidade que, após tantas tentativas frustradas de tornar a humanidade feliz, ainda querem ajudar. Os socialistas revolucionários pensam, ao contrário, que a humanidade deixou-se, por um tempo demasiado longo, governar, e que a fonte destas infelicidades não se encontra em uma ou outra forma de governo, mas no princípio e no próprio governo qualquer que ele seja.
Esta é enfim a contradição, já histórica, que existe entre o comunismo cientificamente desenvolvido pela escola alemã e aceito em parte pelos socialistas americanos e ingleses, de um lado, e o proudhonismo largamente desenvolvido e levado até suas últimas conseqüências, de outro, aceito pelo proletariado dos países latinos[i].

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os teus pés

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpurados teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda



(Bianca)