terça-feira, 2 de setembro de 2008

Don Quijote de la Mancha

XXI / ANTEFINAL NOTURNO

Dorme, Alonso Quejana.

Pelejaste mais do que a peleja

(e perdeste).

Amaste mais do que amor se deixa amar.

O ímpeto

o relento

a desmesura

fábulas que davam rumo ao sem-rumo

de tua vida levada a tapa

e a coice d'armas,

de que valeu o tudo desse nada?

Vilões discutem e brigam de braço

enquanto dormes.

Neutras estátuas de alimárias velam

a areia escura de teu sono

despido de todo encantamento.

Dorme, Alonso, andante

petrificado

cavaleiro-desengano.

Carlos Drummond de Andrade

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