segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

ANO NOVO


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente�".-(Carlos Drumont de Andrade)-

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Miséria silenciosa


Sou!

Um passageiro neste trem desgovernado.

Que segue sem trilhos indo para lugar algum.


Sou!

Mais um nome na lista dos desesperados.

Que vaga no mundo e no mundo sou mais um.

Não sou mais que um nome nesta arena deste teatro.

Que banha-se com o sangue dos que não podem se defender.

Sou mais uma estatística para os homens do estado.

Que se elegem pela mentira ou pela força buscam o poder.


E você!

Não vira me dar um abraço.

Nem vira dormir em meu barraco.

Nem sabe o feijão cozer.


E você!

Não se levanta antes do sol estar bem alto.

Nem vai dormir coberto por sacos.

E não sabe o que é frio.

Ou de medo tremer.


Não!

Não sou mais que um número.

Para ser usado pelos lúdicos.

Que se abancam de todo poder.

E sentados, em suas cadeiras de couro.

As ruas se tornaram os matadouros.

E disputa-se com os cães para comer.


Não!

Na verdade nem somos gente.

Que só lembrados sem sermos indiferentes.

Pelos que querem as mamas do poder.


E você!

Não vira me dar um abraço.

Nem vira dormir em meu barraco.

Nem sabe o feijão cozer.


E você!

Não se levanta antes do sol estar bem alto.

Nem vai dormir coberto por sacos.

E não sabe o que é frio.

Ou de medo tremer.


Campos!

Que se enchem de grãos e fome.

Pelos tantos Josés sem nome.

Que são escravizados por coronéis do sertão.


Cidades!

Que em labirintos de favelas.

O crime se organiza não pensando no bem estar dela.

Assim como as autoridades não nos querem ver.


País!

Que só vitrine em caráter internacional.

Esconde as sete chaves o seu veneno letal.

E a corrupção se faz reinar.


E eu!

Que passageiro neste trem imundo.

Sigo chamado de vagabundo.

Quando os seus sacos de lixos tenho de rasgar.


E você!

Não vira me dar um abraço.

Nem vira dormir em meu barraco.

Nem sabe o feijão cozer.


E você!

Não se levanta antes do sol estar bem alto.

Nem vai dormir coberto por sacos.

E não sabe o que é frio.

Ou de medo tremer.

Mansões que se estendem nas cidades.

Cercados por seus guardas covardes.

Que nos vêem como cães a chutar.

Assassinos, encobertos por suas sirenes.

Por suas fardas limpas de sangue quente.

Que acabaram de derramar.

Amantes com seus caros diamantes.

Presenteados pelo político importante.

Com o dinheiro da merenda escolar.


E você!

Não vira me dar um abraço.

Nem vira dormir em meu barraco.

Nem sabe o feijão cozer.


E você!

Não se levanta antes do sol estar bem alto.

Nem vai dormir coberto por sacos.

E não sabe o que é frio.

Ou de medo tremer.

E assim, constroem-se altos edifícios.

Ruas de pedras e paralelepípedos.

Tornaram-se pistas para seus carrões.

E a selva, o machado chegou nela.

O homem amplia a fazenda e espera.

O certificado autentico de suas ambições.

E assim, prossegue a vida se arrastando.

Eu neste trem em mudo gritando.

Assistindo a abortarem minhas gerações.


E você!

Não vira me dar um abraço.

Nem vira dormir em meu barraco.

Nem sabe o feijão cozer.


E você!

Não se levanta antes do sol estar bem alto.

Nem vai dormir coberto por sacos.

E não sabe o que é frio.

Ou de medo tremer.


*ROBERTO MARIANO*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Chegando as eleições!!!


TUDO o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:
Votar significa abrir mão do próprio poder.
Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.
Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos "acima" de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.
Votar é uma idiotice.
É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.
Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.
O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.
Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.
Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.
Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.
Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.
Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!
A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.
Por isso, não abandone sua liberdade.
Não vote!
Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.
Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.
Não vote!



Elisee Reclus
Tradução de Mario Bresighello

domingo, 2 de dezembro de 2007

Ao Combate!!

¡ Al combate!
Es una cárcel de martirio el mundo
Do la infeliz mujer obrera habita
Soportando con dolor profundo
Las infamias i miserias de la vida!
Aquí reina el pérfido egoismo
La maldad, la miseria i el dolor,
Que oprimen con venal cinismo
Al pueblo siervo de la esplotación…
I por mas que sin cesar trabaje
La mujer nacida en pobre cuna,
Siempre llevará consigo el traje
Del inmundo harapo hasta la tumba.
¡Oh burguesía! Piensa en el futuro
de la presente sociedad humana;
raciocina con calma i de seguro
veras temblar tu criminal espada!
¿Existe acaso algún poder oculto
para que siempre esclava la mujer,
acepte el necio i miserable insulto
del potentado o místico burgués?
No! Porque el sol de la Cuestión Social
Ya ilumina el cerebro de los pueblos,
Destruye la ignorancia universal,
Y la mujer edúcase en los templos…
Pero en los templos del saber i la ciencia,
Donde impera el dios de la Virtud,
Donde vive la razón en la conciencia
Tan pura i libre como el cielo azul;
Allí donde la igualdad radiante
Se alza en el trono de bendito Amor
Cobijando como madre amante
Los nobles hijos de su corazón
¡obreras del mundo! Ya la luz
que irradie el pensamiento humano
empieza a destrozar el yugo i la cruz
que llevamos en los hombros tantos años
Hijos del trabajo !Salud y libertad
si en vuestros dignos corazones late
la voz anjelical de la Verdad!
Acudid presurosos al combate
A destrozar al Rei de la maldad.



Clara Rosa G. é uma poeta anarquista chilena e escreve esse poema em 1901 no periódico anarquista chileno EL ACRATA.