terça-feira, 10 de novembro de 2015

Quando tudo em mim é vergonha
e sou todo amargura,
o monstro que se esconde 
dentro das minhas entranhas
faz da minha vida a sua.

Me agarra na suas garras
rasga meu peito
e salta nas profundezas
mas obscuras do leito.

Tento resistir a dor
tento vencer o pavor
tento lançar meu clamor
são muitos gritos de horror
lamuria do sofredor
que pede um pouco de amor.

As mentiras que me nomeiam
eu nunca quis agarrar
essas vozes que me rodeiam
e me chamam pra dançar.

Insana, dança da morte
sou um diabo sem sorte
tomado pela fome
da flor que de mim foge.

Maldita dor que consome
arranca de mim o que sou
não me deixa seguir onde vou
e insiste em roubar meu nome.

Sono pra que?
Tenho que ficar acordado
pra não te ver ao meu lado
e continuar a sofrer.


Rômulo Romanha

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sutil como o ar
na doçura do olhar
explica tudo aquilo
que o verbo não pode expressar

Na nuance das cores
leves tons de amores
não cabem em palavras
todos esses sabores

A luz que sai dos seus olhos
cria sentido contrário
a física não explica
nem há verbetes no dicionário
então...

que gaste o gesto no gosto
do seu rosto
colado no meu rosto

eu gasto... não basta
devasto
caminho descalço
seguindo seu rastro
pois em sua presença

floresce no asfalto...


Rômulo Romanha

para Danielle Barucci
Vamos passear comigo?

Prometo te levar ao mais alto lugar,
onde os sonhos passeiam pelo céu
e os pensamentos se desmancham no ar.

Olharemos a vida...

que se manifesta no sutil movimento dos átomos.


depois, podemos ainda

olhando... lá de cima
entender o que se passa
entre os sonhos que caminham pelo vento
e as vontades que se fazem nossa casa.

Verás os sonhos das crianças 
brincando inocentes na imensidão do céu
Terá as marcas da lembrança
que jamais serão apagadas do seu papel.

Então quando voltarmos...
quando não formos mais os mesmos
deixe-me observar em ti no que se tornaram
os meus velhos sonhos 
e meus, sempre novos, desejos.



Romulo Romanha


para Danielle Barucci
ela é a minha verdade,
do fim é início,
aquela sonoridade...
o mais louco vício



Para Danielle Barucci


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Escrevo, pois algo me afeta,
torto na linha reta,
com o coração de poeta
à errar até quando acerta

Todos os dias a mesma regra,
bem cedo em meu peito desperta
uma força que liberta
o espirito de um profeta.

Meu olhar sai como seta
voa numa direta
sente a luz que nos cerca
separa as flores das pedras.

Minha escrita é minha reza,
aquilo que faço sem pressa,
toda minha alma versa
no verso da minha conversa.

Escrevo com o amor que me resta,
porque sinto em mim uma festa
e disparo como uma flecha
quando a caneta aperta.

O papel permanece alerta
imóvel e sereno, revela
enquanto o traço espera
pra nascer na ponta da esfera.


Rômulo Romanha

domingo, 22 de fevereiro de 2015

PEDRA

Lasca de força bruta
calado simbolo de luta
corta quebra e fura
centelha de energia imuta

Pequena arma de David
pedra que dilacera a grandeza
ao estilhaçar a opressão.
A mão se poem a agir
ressuscita a luz da beleza
forjada no coração.

Em revolta o sangue ferve
e no estomago aquele frio,
a explosão do povo em febre
após tempos sombrios.

Em peso, volume e densidade
nem parece tão poderosa.
Só ela contra a cidade,
nas mãos da plebe corajosa.

Força! Pedra da revolta,
pedra da resistência.
Ensine aos de cabeça baixa
o valor da desobediência.

Junto ao povo és rainha
e companheira de jornada,
espero que ao voar sozinha
restaure a justiça quebrada.

Rômulo Romanha

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.


Ariano Suassuna